O Medo e a Paranoia da era Bush jr. no pequeno clássico “O Nevoeiro”

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O Medo e o Pânico são densos como a névoa

Talvez nenhum outro filme tenha retratado tão bem as paranoias e esquizofrenias da era Bush Júnior como o pequeno grande filme de Frank Darabont (que dirigiu e foi responsável pelo roteiro), “The Mist” (O Nevoeiro), de 2007, baseado num livro do escritor Stephen King. Uma época marcada pela desesperada vingança estadunidense após o 11/09, levando de roldão o equilíbrio da democracia naquele país e permitindo o progressivo desrespeito aos direitos humanos, em nome de uma subjetiva “Guerra ao Terror” que afetou, basicamente, o mundo inteiro.

O filme, de produção modesta (para os padrões estadunidenses), não foi um grande sucesso naquele ano, custando pouco mais de US$ 18 milhões e arrecadando US$ 25 milhões nos EUA. A audiência não achou palatável o tom cético do filme. Contudo, as locadoras e a crítica especializada souberam reconhecer o valor da obra, elevada ao status de “Cult” por apaixonados defensores. Eles provaram estar certos. O filme continua assustadoramente atual nas suas ambições políticas e narrativas.

A história evolui rapidamente, a partir de um estranho nevoeiro que toma conta de uma pequena cidade, trazendo com ela estranhas e mortais criaturas e forçando um grupo de sobreviventes a se entrincheirar num mercado local, sufocados pelas incertezas e, principalmente, diferenças entre aquelas pessoas e de como elas interpretam o estranho fenômeno.

O fantástico aqui é utilizado pelos roteiristas como uma oportunidade de mergulhar nas tensões e conflitos que assolam a sociedade estadunidense. E nesse aspecto ele apresenta momentos que estão entre os mais tensos do cinema comercial estadunidense no passado recente.  À medida que os fenômenos se tornam mais misteriosos e mortais, seu entendimento começa ser disputados por grupos que suspeitam da ação de “terroristas” até o fatalismo religioso do castigo divino. Destaca-se a assustadora personagem Mrs. Carmody (Marcia Gay Harden, na melhor atuação do filme), uma fanática religiosa que, ao proporcionar um discurso apocalíptico sobre os acontecimentos, se torna, de longe, a maior ameaça para as pessoas que tentam desesperadamente sobreviver.

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o Capitalismo Zumbi de “Dawn of the Dead”, de 1978, um clássico do gênio George Romero

A ação se passa quase que inteiramente nas dependências de um pequeno mercado, num dos símbolos da nossa civilização, e mesmo não sendo original no seu propósito (George Romero já fizera isso em seu clássico “Dawn of the Dead” – 1978), não deixa de ser interessante a ironia do roteiro.

O próprio nevoeiro funciona (na correta e angustiante fotografia de Rohn Schmidt) como admirável analogia do medo, por engolir a civilização e tudo que nela vive. Pior, limita a capacidade das pessoas em enxergar saídas e engendrar soluções para os problemas enfrentados.

O diretor Frank Darabont avança a trama de forma admirável, aproveitando-se do clima claustrofóbico para criar um ambiente de progressiva tensão. O tom da obra é eminentemente pessimista, seja pelo destino apontado pelo roteiro, seja pela tese que o filme desenvolve sobre a própria civilização, onde o homem encurralado e assustado costuma, normalmente, cair na tentação da violência caótica e desesperada. Somos bichos irascíveis e infantilizados, e isso se mostra claro quando as estruturas que suportam a vida social (o estado, notadamente) desaparecem. Destaca-se também a sensibilidade de Darabont para filmar o material original de Stephen King.como admirável analogia do medo, por engolir a civilização e tudo que vivi nela. Pior, limita a capacidade das pessoas enxergara saídas e engendrar soluções para os problemas enfrentados pelas pessoas.

Assustador pensar que o filme é mais atual do que nunca, ainda mais por conta da sucessão de atentados, em especial na Europa, ocorridos nos últimos 3 anos, com o reflexo político imediato: a assunção da estrema direita e do nacionalismo mais belicoso no mundo. Os medos irradiados por essa onda conservadora estão, todas elas, no filme de

Alguns filmes empalidecem com os anos. Outros melhoram a cada projeção. É o caso de “O Nevoeiro”.

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