A série “Missa da Meia Noite” como parábola de um mundo sombrio e sem esperanças

A Série “Missa da Meia Noite”, da Netflix, é a nova peça do universo antológico do criador Mike Flanagan, que utiliza o gênero do horror para discutir as cada vez mais complexas e dolorosas relações humanas da nossa contemporaneidade. Somos quase 8 bilhões de pessoas que se acotovelam nas ruas e nos bites, cada vez mais divididos nas cores políticas, nas estratificações das classes sociais, na crescente fome por consumo de bens, apavorados pelos limites da vida moderna e envoltos na vastidão perigosa das redes sociais. Algo como o mundo líquido de Bauman, progressivamente instável e inseguro.

Diferentes das mini séries anteriores, “Maldição da Residência Hill” (2018) e “Maldição da Mansão Bly” (2020), “Missa…” não é ambientada numa típica mansão assombrada, mas numa ilha isolada, a 50 km da costa, lar de uma empobrecida comunidade de pescadores, paralisada no tempo e em franca decadência. A sensação de confinamento persiste, já que a vida insular daquelas pessoas não oferece muitas possibilidades, paisagens e perspectivas, tal qual os quartos e ambientes das casas mal-assombradas e seus segredos e maldições aprisionadas ali.. A ambientação claustrofobia, que aprisiona os personagens em verdadeiras ratoeiras psíquicas e existenciais, presentes nas séries anteriores da antologia, está obviamente presente aqui também, ainda que numa escala maior. Já no primeiro capítulo, nos minutos iniciais, o diretor apresenta um belo e estranhamente ameaçador plano aberto da ilha, onde a enxergamos pequena, estreita e cercada de água. Uma verdadeira prisão, que assim se revela ao acompanharmos o triste Riley Flynn (Zach Gilford), recém saído da cadeia onde cumpriu pena de 4 anos por dirigir embriagado e causar a morte de uma jovem (que o assombra, numa típica intervenção dos mortos – e da culpa – nos roteiros da antologia de Flanagan). A volta para ilha da infância, onde mora sua família é o retorno do homem quebrado, angustiado, devorado pela culpa. Logo, a fatalidade de uma vida sem perspectivas se dá na rima narrativa, que desloca o personagem de uma prisão para outra.

A ilha, assolada pela decadência econômica – a direção de arte é competente ao acentuar a decadência daquele ambiente por meio de casas envelhecidas, eletrodomésticos antigos e barcos enferrujados, empilhados nas poucas ruas da comunidade – por conta de um acidente ambiental do passado, sofre com o abandono de moradores e o esquecimento. Vai se construindo, desde o primeiro capitulo, a ideia de decadência e morte do lugar, como se aqueles personagens fossem progressivamente devorados e enterrados naquele lugar sem perspectivas.

É na igreja de St. Patrick, católica, que a vida respira naquela ilha. Onde o centro social e espiritual daquele comunidade ganha força e faz aquelas vidas esquecidas ganharem sentido e propósito. O ambiente insular ressalta o ensimesmamento daquelas pessoas, envoltas numa religiosidade onipresente e conservadora.

Nesse ambiente de sufocante paralisia, onde o tempo se arrasta, de tensões contidas mas aparentes, a personagem Bev Keane (extraordinariamente interpretada por Samantha Sloyan) impõe ao grupo social sua dura religiosidade e seu moralismo opressivo. Desde a sua primeira aparição, sabemos da sua imposição pelo temor que desperta nos outros, da ameaça de alguma acusação moral, combinada com declamações bíblicas em tom de ameaça e repreensão. Obviamente, por meio da personagem Bev, o roteiro aponta suas críticas para o fundamentalismo religioso (que é muito presente no país dos produtores, assim como nosso triste país). O Personagem do fundamentalista religioso não é novo em tramas do gênero. Nos lembremos do extraordinário “O Nevoeiro” (2007), de Frank Darabont, adaptando um conto de Stephen King.

E existe o Padre Paul, misterioso e jovem religioso que chega à comunidade, substituindo o veterano padre do lugar, já velho e doente, enviando pelos fiéis locais por meio de uma vaquinha para a Terra Santa, atendendo um antigo desejo do religioso. A construção do personagem Paul, obra de Hamish Linklater, é primoroso. Ele compõe um Padre Paul que inspira e intriga, com sua voz calma e baixa, tímida, que cresce e assusta no altar. Suas intenções são aparentemente redentoras, e ele traz na bagagem a capacidade de operar milagres.

Velho estereótipo do cinema, o personagem do estranho redentor se apresenta de pronto…mas nunca o compramos de fato, já que, através de pequenas pistas que o engenhoso roteiro e a direção paciente de Flanagan, vamos entendendo que aquele personagem traz consigo segredos e contradições, que não se prestam no encaixe preguiçoso de outras produções do gênero.

O Padre Paul não é ruim, no sentido das suas intenções. Ele só enxerga o mundo através do seu sistema de crenças e dos códigos da fé cristã. Não consegue, inclusive, entender o mal – o demônio? – que se aproxima, estabelecendo um inusitado e monstruoso pacto com ele.

E que ensaio sobre o nosso mundo. Somos socialmente encerrados pelos fantasmas da vida moderna. Isolados nos nossos bolsões sociais e profissionais. Vivemos em ilhas psíquicas, afogados em nossas crenças, desiludidos e perdidos em nossas ideias, concretas ou subjetivas. A Ilha Crocket é um pequeno simulacro do nosso ordenamento social. E o mal que nos assola, travestido das promessas da pós-modernidade, que vai do empreendedorismo messiânico à religião fundamentalista, propagada por radicais e espertalhões mundo afora. Vamos nos empobrecendo, adoecendo e cada vez mais nos afogando num mundo sem alívio.

E sobre a religião, a sensibilidade do cineasta trata com inteligência e respeito. Se o roteiro retrata Bev (e toda sua loucura fundamentalista) com a criticidade necessária, em nenhum momento a obra desrespeita a fé dos personagens, reconhecendo, inclusive, a força moral de vários deles. Numa cena particularmente tocante – e de um texto inspiradíssimo – o personagem Riley pergunta para sua amiga Erin Greene (Kate Siegel) o que ela imagina acontecer conosco após a nossa morte. E o que Erin diz, num cuidadoso monólogo, é uma fala adulta, poética e sensível de alguém que se inspira na fé para entender e conceber o triunfo do espírito sobre a morte. O Roteiro trabalha essa dualidade da fé, que destrói e constrói coisas belas. O Cineasta, cuja educação católica certamente o inspirou na concepção da trama, mas hoje se reconhece ateu, passa longe da tentação de promover um proselitismo ateu mal acabado.

Outro personagem interessante, que também aponta para uma certa riqueza étnica da ilha – referência ao caldeirão étnico dos Estados Unidos contemporâneo – é o delegado Sheriff Hassan (Rahul Kohli), o homem mais cosmopolita da ilha, ex-agente do FBI, muçulmano recrutado durante os anos seguintes ao 9/11, que gradativamente vai percebendo o racismo repulsivo contra si e sua comunidade, ainda que seu conhecimento linguístico e cultural fosse de muita relevância para os serviços de inteligência. É no personagem Hassan que a racionalidade se refugia, em meio ao horror e o sobrenatural. Ele é o homem atormentado pela loucura da Guerra ao Terror e pela morte da sua companheira, que escolhe a ilha Crocket para se refugiar dos ódios e cuidar da educação do seu filho, enxergando naquela comunidade alguma segurança. A fata de segurança, medo atualíssimo do nosso mundo torcido pela incerteza. Outra mensagem do roteiro: não estamos seguros, mesmo em nossas “ilhas”: nossos condomínios, em nossas cidades do interior ou na imigração para algum santuário europeu. Não estamos seguros. Porque a loucura é palpável, e se espalha por todos os lugares.

A obra de Flanagan é permeada de monstros e fantasmas, mas eles são melancólicos, de uma tristeza romântica, deslocada do nosso tempo. Não são pérfidos, mas sim vítimas do esquecimento, da culpa e da solidão. A Tristeza das nossas existências impulsionam nosso sofrimento pelo eterno. Acima de tudo, os fantasmas de Flanagan sofrem a maldição de um dia terem respirado. De terem sido Homens. Falhos.

O Roteiro não se preocupa em explicar o mal. Ele o entende como um dado natural, uma lado da natureza sempre em busca de equilíbrio. Uma eventualidade fortuita, ainda que grotesca. E, por mais ameaçadora, a ameaça fantástica não chega perto da natureza humana e sua extraordinária capacidade de amar e destruir. E de como esses elementos contraditórios, que pulsam de nossa natureza humana, acabam encaminhando o destino daquelas pessoas, naquela ilha perdida na costa oeste estadunidense. Mas é na força da redenção, a grande fonte de inspiração da obra. O seu manifesto mais contundente. E da onde tiramos as passagens mais memoráveis da obra.

Não esperava me comover tanto com “Missa da Meia Noite”, projeto que Flanagam desenhou e lutou para realizar durante muitos anos. Nela, enxerguei todo o meu desespero…

Radioactive (2019), de Marjane Satrapi

A Série “Borgen” e um ensaio sobre a política para adultos

Não venho assistindo muita coisa…mas, recentemente, maratonei a série dinamarquesa “Borgen” (2010-2013), disponível no catálogo do Netflix.A série, criada por Adam Price, acompanha a personagem Birgitte Nyborg (fantasticamente interpretada por Sidse Babett Knudsen), líder do partido moderado e que, pelas circunstâncias do cenário político, assume o posto de primeira ministra do pequeno país escandinavo.

Para nós, brasileiros, a série traz muitos benefícios. Ela nos ensina que é possível falar sobre política SEM SATANIZÁ-LA, na contramão de besteiras como “O Mecanismo” (do inacreditável Padilha) ou mesmo “House of cards” (concebida, ao menos no seu início, pelo Fincher).

Mesmo mostrando os interesses, as concessões, as negociações, as traições…existe um respeito pela prática política…pelo debate político…como a tecnologia social mais civilizada à disposição de uma sociedade moderna para que ela possa resolver seus problemas.

A série revela os bastidores da política dinamarquesa, país dos mais igualitários e civilizados do mundo. Mas, mesmo essa sociedade possui suas contradições, tensões e conflitos.

Muitos dos temas presentes em outras sociedades estão aqui, o que fez a série ter ressonância global: a extrema direita exigindo políticas restritivas aos imigrantes, os cortes nos investimentos sociais como exigência dos liberais, os socialistas distantes dos trabalhadores e agendas históricas, a espetacularização da notícia, a influência cada vez mais indisfarçável do poder financeiro no jogo político…O Roteiro equilibra bem os desafios políticos de Birgitte com as dificuldades adicionais de uma mulher ocupando um cargo executivo (pressão dos filhos, incompreensão do marido).E que direção de atores…O Elenco todo está muito bem.

Politicamente, a série aposta na tal “terceira via”…Birgitte é uma política do centro, conciliando agendas de esquerda – liberdades individuais, respeito aos imigrantes – com outras, tecnocráticas e tipicamente liberais, como privatizações e diminuição do sistema de proteção social. A primeira ministra da série é uma política realista, bem intencionada, mas sem abdicar do pragmatismo, quando necessário…Os produtores retratam o mundo do seu tempo…a extrema direita global ainda não tinha se revelado em toda a sua influência global. Por isso, e em especial nas duas últimas temporadas, a série discute mais os limites éticos da imprensa – na sua espiral de radicalização e sensacionalismo (um tema bem brasileiro) – do que propriamente as agendas ou mesmo o embate ideológico entre as diversas forças políticas no cenário dinamarquês.

Para nós, aqui no Brasil, é uma oportunidade de entender um pouco mais os ritos do sistema parlamentarista, mesmo ajustado para a realidade dinamarquesa.

Para além de concordamos (ou não) com alguns aspectos da série – sobretudo políticos – é inegável o bom texto, a produção correta e o ótimo trabalho dos atores. E, de quebra, sermos convidados a refletir sobre o solitário exercício do poder, de uma forma adulta e civilizada.

Nada mais distante do universo de Borgen do que o Brasil atual, no seu horrendo mergulho nas trevas estéticas e morais do bolsonarismo…Por isso mesmo, e sobretudo para nós, brasileiros, a série se apresenta como entretenimento indispensável.

O Cemitério das Almas Perdidas (2020) | Diretor: Rodrigo Aragão

Dois anos depois de apresentar o seu “Mata Negra (2018)”, o diretor Rodrigo Aragão lança o seu projeto fílmico mais ambicioso: “ O cemitério das Almas Perdidas” (2020)”, filme pensado pelo seu realizador desde o início da sua carreira e que marca um novo ciclo criativo para o seu cinema. Mas não é só isso. O “Cemitério…” representa um marco para o cinema fantástico brasileiro, seja pela sua escala ou mesmo, e sobretudo, pela sua ambição estética. Mas eu gostaria de avançar no meu hiperbolismo: Rodrigo Aragão fez um filme que todos nós, brasileiros e amantes desse gênero, sonhávamos desde sempre. Um filme brasileiríssimo no seu universo fantástico e que remete à nossa história, nossos sotaques e cores.

Desde a fotografia de Alexandre Barcelos, que dá luz, sombras e forma ao universo concebido por Aragão (ainda que o filme seja, em alguns momentos, muito escuro na sua paleta de cores, ressaltando sua necessidade ser visto no cinema, com toda a tecnologia disponível para ressaltar os seus aspectos técnicos) até a edição de Thiago Amaral, que organiza – e dá ritmo – ao filme, com as suas idas e vindas por épocas tão distintas, o filme constrói uma elaborada caricatura da nossa história, onde os brancos europeus atravessam o oceano trazendo, além da sua volúpia exploratória, o próprio mal, na forma do “Livro Negro de São Cipriano”. Destaco também a trilha sonora composta por João MacDowell, que mesmo excessivamente presente na narrativa, compõe com sucesso a ambientação proposta pelo longa.

O primeiro ato do filme apresenta a vinda de um jesuíta desgarrado para o Brasil, em pleno período colonial, carregando consigo o tal “Livro Negro”, escrito sob a influência do próprio diabo e abrigando as feitiçarias, praguejamentos e maldições infernais. O roteiro (do próprio Aragão) aponta o dedo para a violência explícita da “aventura colonial” europeia na américa. Sujos, maltrapilhos e muitas vezes fugitivos de crimes cometidos no passado, o homem branco traz, literalmente, o mal para essas terras.

Conforme avança o filme, vamos nos deparando com o Brasil de Aragão, meticulosamente – e pacientemente – criado desde os seus primeiros filmes: uma sociedade pré-industrial, não urbanizada, envolta em natureza misteriosa e suas criaturas, além do Fanatismo religioso e violência social, elementos sempre presentes em suas histórias.  

A história é tematicamente simples: uma trupe circense (liderada por Fred – Francisco Gaspar) faz uma parada numa cidadezinha misteriosa e envolta em mistérios e, após experimentar o repúdio das lideranças religiosas do local, são agredidos e sequestrados, encaminhados para um cemitério isolado nas aforas da cidade, que circunda um antigo mosteiro dos tempos coloniais. Sobre esse eixo central a história se desenvolve, com as já citadas idas e vindas ao passado daquele local. O Roteiro evolui e vai construindo as pontes entre épocas distintas e seus personagens.

Ainda que o segundo ato possa perder algum ritmo, pelas sucessivas idas e vindas que o roteiro costura para entendermos a trajetória dos personagens, em especial do grupo que cerca Cipriano (Renato Chocair, numa ótima – e soturna – interpretação), o filme conduz bem a história até a explosão de sons e imagens dos últimos 30 minutos. E é quando Rodrigo Aragão empenha seu talento na confecção e emprego dos efeitos práticos e digitais – quase todos eles bem eficientes – para desenvolver aquela trama, ainda que pontas sejam deixadas propositadamente abertas para o progresso – e expansão – daquela história.

Ficamos com a impressão que o diretor vai montando um intrincado – e muito ambicioso – universo fílmico, onde suas referências e personagens vão intersecionando outros filmes e projetando o seu épico fantástico para um patamar nunca alcançado pelo nosso cinema.

Pleno de referências (o longa abre com a tocante dedicatória ao mestre Mojica Marins), em especial do cinema do horror dos anos 80 e auto-referências do próprio universo de Aragão (como o próprio Livro negro de São Cipriano), o filme oferece uma riqueza visual inventiva e esteticamente bela.

O Infortúnio da pandemia, impedindo o lançamento do filme pelo circuito de exibição, é mais uma barreira a ser vencida por Aragão e sua família criativa – além da equipe técnica, atores como Carol Aragão, Diego Garcias e Francisco Gaspar, dentre outros, estão sempre presentes em seus projetos.

É certo que o filme tem viabilidade por outros mercados e canais de exibição.

O filme de Aragão é mais um exemplo do prodigioso momento do cinema fantástico brasileiro. Realizadores como Rodrigo Aragão, Dennison Ramalho, Marco Dutra, Juliana Rojas, Marcos DeBrito e tantos outros, apontam para a consolidação de um “horror brasileiro” de qualidade internacional, que se utiliza das nossas assimetrias, gostos, estilos, cores e da nossa história, violenta e fantástica, para produzir aqui, no Brasil das incertezas de hoje, um cinema muito original e necessário.

Viva o cinema Brasileiro!!!

Obs.: eu tive a oportunidade de assistir a pré-estreia do filme, na abertura do 10º Cinefantasy, no Memorial da América Latina, dia 06 de setembro. Fui como convidado do Instituto de cinema de São Paulo.

“O Náufrafo | Cast Away” (2000), Dir.: Robert Zemeckis

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O Confinamento como medida necessária para combater a Pandemia me levou a rever “O Náufrago | Cast Away” (2000), de Robert Zemeckis.
Bem, antes de mais nada: que diretor interessante é o Zemeckis, não?
Tem uma filmografia recheada de grandes sucessos (Franquia “De volta para o Futuro”, “Contato”, “Forrest Gump”, dentre outros…) e, mesmo realizando um cinema, em essência, de grandes proporções (na escala, orçamento etc), ele rapidamente se desloca do seu padrinho, S. Spielberg, em busca de uma trajetória própria e autoral.
Em vários dos seus filmes – como, por exemplo, “O Náufrago” – ele dedica seu cinema ao homem (ou mulher) que, contra e tudo e contra todos, luta pela sua sobrevivência física, moral, profissional…De certa forma, ele, assim como Spielberg, filma o americano médio que, em condições específicas, se agiganta…
De uma forma obviamente diferente, Clint Eastwood vem fazendo isso na sua atual fase criativa.
Mas, voltando para o Zemeckis, essa “coragem” de muitos dos seus personagens reflete as lutas e apostas do próprio diretor, que no começo dos anos 2000 gastou parte da sua fortuna – e prestígio – no desenvolvimento de tecnologias de animação – que podemos verificar em filmes como “A Lenda de Beowulf” e “Expresso Polar”, amargando, podemos dizer agora, prejuízos para a sua conta bancária e na sua imagem criativa…
Bem, sobre “O Náufrago”: o filme continua firme. A facilidade de Zemeckis na direção de cenas de ação se verifica na impressionante cena sequência da queda do avião.
Tom Hanks sofreu uma impressionante transformação física durante as filmagens, mas para além do corpo trabalhado, sua interpretação é cheia de carisma. Ele literalmente leva um filme de mais de 2h no colo.
E o filme oferece, de bônus, uma reflexão sobre os nossos dias: em 2000, ano de estréia do filme, a globalização era uma onda irrefreável. O Mundo ainda vivia a hegemonia econômica estadunidense, a URSS já era história – e o filme começa acompanhando o personagem de Tom Hanks, encarregado de logística da Fedex, pela Rússia, recém incorporada ao mercado capitalista.
Naqueles dias, a “eficiência capitalista” seria o motor impulsionador da civilização. E o filme, consciente ou não, celebra aquela momento específico da história, exatamente anterior ao 9/11, ao crash do subprime e ao Covid-19.
O filme oferece, portanto, o retrato de um mundo que não existe mais…

Morris convida o Diabo para Dançar – “American Dharma” (2019) | Diretor: Errol Morris

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Assisti o documentário “Americna Dharma”, do experiente documentarista Errol Morris…
O filme tenta desvendar a alma perturbada de Steve Bannon, ideólogo de Trump e da extrema direita global.
O que é temerário no projeto é que o diretor constrói, na verdade, um grande palanque fílmico para as ideias confusas e perturbadas de Bannon…
Todo o filme se da na reprodução do cenário do filme “Twelve O’Clock High,” | “Almas em Chamas” (1949), de Henry King, onde Gregory Peck interpreta um comandante de um grupo de bombardeiros durante a segunda Guerra.
Bannon estabelece um paralelo entre o surgimento da extrema direita – personificada em Trump – e as virtudes do comandante interpretado por Peck.
Morris declara, num determinado momento do filme, que sente medo de Bannon e Trump…mesmo assim, seu filme fracassa na tentativa de mostrar o perigo que Bannon representa para a democracia…A estrutura do documentário segue a estética consagrada do diretor, com a presença da trilha sonora marcante e imagens elaboradas que auxiliam a construção de um ambiente crítico…

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Steve Bannon no documentário “American Dharma”

Funciona muito em “A Névoa da Guerra”, mas aqui, sem confrontar o personagem com as suas contradições, cria simplesmente um palanque fílmico lamentável para um homem perigoso.
O próprio inicio do filme, que mostra o personagem Bannon caminhando, sozinho, por uma abandonada pista de aviação – parte da ambientação que o documentário cria em torno do filme “Almas em Chamas” – constrói a mítica de um cavaleiro solitário, heroico no seu estoicismo e disposto a dar a vida por sua causa….
Lamentável….

Ken Loach na esquina da história: “Você não estava aqui” (2019)

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O novo filme do veterano Ken Loach, Você não estava aqui | Sorry We Missed You (2019), segue o mesmo tom de denúncia e urgência do seu longa (para cinema) anterior, Eu, Daniel Blake (2016). Tanto em “Eu, Daniel…” como em “Você não…”, o diretor aponta para a as mazelas de uma sociedade britânica (Européia na verdade, e porque não, mundial) cada vez mais desigual, que vai desarticulando progressivamente sua estrutura de serviços públicos, ao passo que a economia global desacelera assustadoramente, jogando a classe trabalhadora em novos “formatos” de engajamento laboral, o que, em essência, significa uma violenta desregulamentação das leis trabalhistas, com a conseguinte e progressiva ausência de benefícios e direitos, diminuição da renda e exaustiva carga de trabalho.

Toda a precarização que vem com as promessas do discurso fácil e pouco crível do empreendedorismo, acelerado pelas novas plataformas tecnológicas, é mostrada pedagogicamente pelo filme. E, como resultado, a fragilização social da família de Ricky (Kris Hitchen), operário da construção civil que enxerga numa empresa de entregas a solução, ainda que arriscada, para a sua falta de trabalho.

Aliás, é a célula familiar e as ameaças de um mundo cada vez mais inóspito um dos grandes temas do diretor e seu roteirista de longa data, Paul Laverty, tratada em filmes como “À Procura de  Erick”, “Pão e Rosas”, dentre outros.

O olhar de Loach, aqui, está mais amargo – panfletário para alguns. Em pouquíssimos momentos do longa sentimos algum relaxamento dos personagens; na maior parte do tempo, eles correm contra o tempo – numa corrida que eles aparentemente não conseguem vencer –  sobretudo Ricky e sua esposa, Abbie (Debbie Honeywood), cuidadora de idosos “esquecidos” pelas suas respectivas famílias.

Dentro da linguagem exercida pelo diretor, o filme não se preocupa em oferecer uma elaborada proposta cinematográfica. A estética de Loach aposta numa câmera relativamente distante dos atores, em especial nas cenas abertas – todas as sequências que mostram o funcionamento do centro de distribuição e sua atividade frenética de vans, conferentes e motoristas são exemplares da cinematografia do diretor. Além disso, o uso de atores pouco conhecidos (ou mesmo amadores) confere um realismo único ao seu cinema.

Sem o bom humor presente em outros projetos, o filme expressa um certo pessimismo, que se acentua na dolorosa sequencia final.

Alguns cinéfilos acusam o cineasta de “cansativo”, autor de cinema árido de frescor e novas idéias. Outros, apontam para o seu cinema excessivamente “panfletário”…

Ken Loach tem lado, nesta esquina cada vez mais crítica e preocupante da história.

Não consigo enxergar qualidade melhor num artista…

 

 

Os mortos teimam em nos assombrar em “Eles não envelhecerão”

legendas_tv_20181222220855Peter Jackson produziu e dirigiu um documentário soberbo e assustador. Em “Eles Não Envelhecerão” | “They Shall Not Grow Old” (2018), ele utiliza todos recursos tecnológicos possíveis para trazer do passado os esquecidos soldados de 100 anos atrás, desperdiçados na insanidade da guerra de trincheiras da primeira Grande Guerra.

O filme faz parte dos eventos que celebraram o aniversário de 100 anos do fim do conflito, o primeiro a arrastar uma grande parte do mundo em sua trama, atravessando campos de batalha pela Europa, África e Oriente-Médio. Também foi o conflito que interseccionou o poder industrial e tecnológico com a guerra. Nunca antes a guerra fora tão mecanizada: trens, aviões, artilharia pesada, metralhadoras, rifles de repetição, granadas, armas químicas…

Mas o conflito permaneceu, durante muitos anos, preterido pelo imaginário popular, muito por conta da eclosão da Segunda Grande Guerra, e que trouxe mais brutalidade horror numa escala ainda maior que a Primeira. E nada supera, ainda hoje na memória da humanidade, o horror do nazismo.  O diretor Steve Spielberg disse certa vez, ao comentar seu filme “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981), que nada superava os nazistas como vilões. Uma iconografia da maldade “perfeita” para a máquina cultural do pós-Guerra…

Ainda que incursões tenham sido feitas nas últimas décadas, materializada na forma de grandes filmes, a mensagem que irradiava deles era a irracionalidade da elite militar aristocrática da época (como em “Glória feita de Sangue” | 1954, de Stanley Kubrick ou mesmo “Coronel Redl” | 1986, se István Szabó), desperdiçando milhões de jovens numa guerra de trincheiras, caracterizada pelo imobilismo e indefinição militar.

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“Glória Feita de Sangue” (1954), clássico contundente de Kubrick sobre a irracionalidade perversa da Burocracia militar 

Como se diz nos nossos dias, o conflito não foi “problematizado” pelo cinema, com raras exceções, certamente pela ambiguidade dos propósitos de todas as potências envolvidas.

Mas, passados 100 anos do seu térmico, voltou-se o mundo novamente pelo interesse no conflito, em especial a Europa. Destaca-se o excepcional canal do youtube criado pela BBC para discutir todos os aspectos do conflito, dos uniformes dos exércitos aos interesses de cada país envolvido (existe até um episódio sobre o Brasil), passando pelos seus personagens e fatos mais icônicos.

O Inacreditável trabalho de Peter Jackson enfrenta este certo desconhecimento do conflito, investindo numa linha narrativa corajosa e até certo ponto arriscada: não existe uma linha narrativa professoral, comuns aos filmes documentários do gênero. O filme não investe na elucidação de fatos históricos. Sua preocupação é dar voz aos tommies, como os soldados britânicos eram chamados à época, através da leitura das cartas desses homens. As leituras desses relatos acontecem sobre imagens da época recuperadas e devidamente tratadas digitalmente.  Ficamos conhecendo as expectativas, os receios, a certeza que todos tinham no verão de 1914 de que o conflito seria resolvido em semanas.

O filme transborda memória, como se Jackon quisesse resgatasse do passado aqueles garotos usados como bucha de canhão nos campos da França. Também se conecta com o avô, ex-combatente morto no conflito.

Mas é quando o filme conta seus 20 e tantos minutos, onde a narrativa leva aquele punhado de jovens (e assim os seguimos pelas cartas), para o front das trincheiras no sudoeste da França, que o documentário transcende a memória, trazendo do mundo dos mortos aqueles personagens. Subitamente, a razão de aspecto do filme é expandida; a velocidade dos quadros diminuída e a fotografia recebe uma incrível textura (num impressionante recurso digital), faz de uma antiga e “surrada” imagem de cem anos possuir a nitidez e a iluminação dos nossos tempos.

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O resgate de cenas envelhecidas são recuperadas digitalmente, ganhando texturas e contornos que fazem dessas imagens relatos assustadoramente atuais…

Além disso, o filme encontra dubladores, com sotaque da região dos soldados exibidos nas imagens, além de sons diegéticos da época, com o disparo de um canhão, de um rifle enfield, do trotar de cavalos e o burburinho das pessoas.

O resultado é impactante. Mesmo os relatos sendo lidos intensamente durante todo o filme, incorrendo, no limite, no risco de um certo fastio, o poder das imagens leva o filme pelos dois terços restantes da projeção, com inegável energia.

O filme usa imagens de documentaristas que retrataram a vida das trincheiras, mesmo nos seus momentos mais leves ou “descontraídos”, no rancho ou em exercícios. E o que sai da tela é tocante: Meninos, na sua grande maioria, com os dentes escuros do fumo, descontraídos, assustados ou cansados, muitos com o olhar juvenil. Em brincadeiras com os amigos, o que é praxe em qualquer parte do mundo em qualquer era. Mesmo na Guerra. É de uma humanidade estupenda e comovente.

São fantasmas que nos assombram com a sua juventude esmagada, fruto da irracionalidade das elites europeias da época.

O título amargo do documentário vaticina o que foi o conflito para muitos, mesmo para os sobreviventes: doenças psíquicas e motoras, rostos desfigurados, inválidos…

A Primeira Grande Guerra foi o grande pesadelo de uma sociedade surpreendida com a própria capacidade de destruição. O Ceticismo que dela emerge definiu a arte e a sociologia no pós-Guerra.

É quando o filme de Jackson novamente nos incomoda. Para além do resgate da memória, o filme nos aproxima de um momento na história de profunda indefinição política, do nacionalismo mais esdrúxulo e da inflexão de impérios ascendentes e descendentes. Os feitos técnicos do filme, portanto, não só nos ajuda a humanizar aqueles pobres garotos esquecidos numa guerra que completa 100 anos, mas também ressalta e vaticina as lições da história.

Em Roma (2018), o recorte trágico e doce das memórias de Cuarón

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“Roma” (2018) de Afonso Cuarón, é o filme mais belo e contundente que eu assisti em 2018.

É um projeto muito pessoal do afamado diretor, que dirige, assina a fotografia e o roteiro do filme.

O filme é um resgate da memória de Cuarón, onde ele nos apresenta o México do anos 70 e sua democracia de fachada (cartazes do PRI – Partido Revolucionário Institucional – que governou o país por mais de 70 anos aparecem em vários momentos do filme).

Através dos olhos de Cleo (Yalitza Aparicio, numa interpretação contida, minimalista e absolutamente tocante), somos introduzidos ao universo da alta classe média mexicana dos anos 70. Nada diferente dos nossos anos 70. A mesma estrutura social que define abertamente privilegiados e a ralé, o mesmo comportamento alucinado, quase irresponsável, da classe média alienada (toda a sequência da fazenda lembra muito a “Regra do Jogo”, de Renoir), o mesmo ambiente que exalava uma falsa normalidade, enquanto para além do asfalto, o país afundava na miséria e na violência…

É um filme pensando meticulosamente para nos fazer voltar no tempo: da linda fotografia em P&B, à câmera de Cuarón, que se desloca sempre à esquerda ou a direita do seu eixo, em planos precisos, quase meticulosos. Também é deslumbrante a reconstituição de época; Cuarón sabe construir ambientes elaborados e conduzir o espectador por eles como ninguém no cinema atual. Nesse sentido, o México conservado na memória do diretor é tão fantástico como o espaço que ele nos mostra em “Gravidade” (2014).

Pena, Pena, Pena que o filme foi produzido para ser exibido em TVs e telas de computador. Toda sua concepção é magicamente pensada para ser cinema, da melhor qualidade.

Toda a beleza trágica da América Latina está nos olhos de Cleo. E com ela, o filme mais belo e poderoso de 2018.

Salve Cuarón…

O Brasil primitivo, sincrético e endemoniado de “A Mata Negra” (2018), de Rodrigo Aragão

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Os atores Francisco Gapar (José) e Clarissa Pinheiro (Maria) | Fotos still/making-of foram feitas por Pedro Medeiros.

Com o filme “A Mata Negra” (2018), Rodrigo Aragão eleva o cinema de horror brasileiro, definitivamente, para outro patamar.

Como lembrou muito bem o ator Francisco Gaspar, em sua breve fala durante a primeira apresentação do filme, no 13º festival de cinema latino-americano de São Paulo, o cinema do nosso grande Zé Mojica – o Zé do Caixão – estava lá, pairando sobre todos nós, como grande inspiração. De fato, a criatividade radical e caótica do cinema de Mojica foi um farol para toda e qualquer incursão pelo cinema de gênero feito no país. É bom lembrar que o cinema brasileiro sempre orbitou por eixos criativos e temáticos sempre muito instáveis, e a nossa condição de subdesenvolvimento econômico e social (para usar uma expressão típica do último século) atrasou, por conseguinte, todo o nosso potencial industrial, ainda que o nosso cinema seja reconhecido internacionalmente como uma cinematografia importante, em especial pela sua mensagem política e crítica da própria condição social brasileira.

É bem verdade que as comédias esteticamente comprometidas com a linguagem televisiva (chamadas também de “globochancadas”) sempre foram bem recebidas pelo público. Mas nem sempre outros gêneros receberam a mesma acolhida.

É nesse contexto que chega o novo filme de Rodrigo Aragão, ainda que primeiramente aos festivais. Mas que seja um tour breve, já que o filme tem grande vocação comercial.

O filme acompanha as desventuras de Clara (Carol Aragão, filha do diretor, numa admirável interpretação física), garota que vive quase isolada com o seu pai adotivo num casebre miserável. Sua vida aparentemente bucólica, ainda que cheio de restrições, muda quando ela encontra um moribundo na estrada, que lhe entrega um saco de moedas de ouro, fazendo antes que ela prometa destruir o Livro perdido de Cipriano, cheio de magia negra, para que a sua alma possa enfim encontrar sossego. O filme convida o espectador, a partir daí, para uma verdadeira montanha-russa gore, que vai abrindo várias tramas periféricas, como a do pastor evangélico Francisco das Graças (Jackson Antunes) ou do Granjeiro José (composto pelo grande Francisco Gaspar, cujo carisma vai galvanizando sua cada vez maior identificação com o cinema de horror).

Na breve fala que fez ao público, Rodrigo Aragão disse que “A Mata…” diferia na narrativa em comparação aos seus projetos anteriores. “Não tem tanto sangue”, advertiu o diretor, entre sorrisos maliciosos da equipe e do público. De fato, “A Mata…” tem nos seus dois primeiros atos um desenvolvimento mais estruturado que os filmes anteriores. Como uma ópera Mozartiana, ele vai adicionando personagens e situações (um promissor namorado para Clara, bandidos, evangélicos liderados por um pastor fanático, um granjeiro e sua família), sem, contundo, deixar o filme cair no desinteresse e na confusão narrativa, muito por conta da extraordinária capacidade que Aragão tem em construir ambientes fantásticos, nebulosos no seu horror mais explícito, porém temperados de humor corrosivo.

Até que, conforme avança o segundo ato, as linhas abertas da história começam a ser fechadas pelo roteiro (do próprio Aragão) e a explosão de Sangue, vísceras e encarnações diabólicas, costuradas com a criatividade explosiva e enérgica do diretor, fazem o filme acelerar freneticamente no seu terceiro Ato. É quando o cineasta entrega as sequências mais elaboradas de toda sua carreira, repletas de efeitos práticos bastantes convincentes, com uma câmera ágil e uma fotografia muito competente, que captura a noite da selva escura de forma assustadora e convincente.

Outro ponto que merece a atenção é o desenho de produção do filme, que acerta ao estabelecer um universo atemporal e geograficamente indeterminado, flertando com um Brasil profundo e mitológico, que se revela nas armas de fogo usadas no filme, quase irreais no seu desenho, na vestimenta das pessoas, nas crenças dos personagens, na espiritualidade sincrética e radical daquelas pessoas…

Repleto de citações e homenagens que vão de Zé do Caixão a Sam Raimi (vi muito de “Noite Alucinante / Evil Dead II” no filme), o cineasta usa sua cesta de referências fílmicas sem abrir mão de um estilo próprio e profundamente brasileiro. Aliás, seu filme exala brasilidade (todos os seus filmes, na verdade), seja pela sua floresta primitiva, pelo sincretismo religioso, pela realidade que combina e distorce os mundos espirituais e concretos, pelos personagens e situações tipicamente brasileiros, na sua essência mais brutal e lúdica.

E com “A Mata…”, o cineasta Rodrigo Aragão dá largada para o lance mais ambicioso de sua carreira, investindo na expansão do seu universo mitológico de um Brasil primitivo e assolado de espíritos e demônios, lançando-se na produção do seu filme seguinte, “O Cemitério das Almas Perdidas”, um prequel de “A Mata…”com um orçamento inédito, o que garantirá uma escala fílmica maior e plena de potencialidades, elevando a escala apresentada em sua trilogia “ecológica de horror” – “Mangue Negro (2008)”, “A Noite do Chupa Cabras (2011)” e “Mar Negro (2013)”.

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O Cineasta Rodrigo Aragão dirige os atores Francisco Gaspar e Clarissa Pinheiro no Set de “A Mata Negra” | Fotos still/making-of foram feitas por Pedro Medeiros.

O seu cinema não encontra similaridade na atualidade. Possui um frescor anárquico bastante brasileiro, ao passo que dialoga com as grandes referências estéticas do gênero. E assim como o atual  cinema escandinavo de fantasia e horror chama atenção (filmes como Dead Snow/ 2009, Troll Hunter/ 2010 e Rare Exports/2010) dos aficionados, abusando das raízes históricas e folclóricas daquela parte do mundo, o universo de Rodrigo Aragão tem potencial (e força) para causar o mesmo impacto visual e temático desses filmes.

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